O portão rangeu, com um suave queixume feminino, quando eleo fechou, depois de passar. O barulho fê-lo parar por um momento no caminho e olhar para a casa. A casa estava às escuras, avultando sombriamente na noite escura. Ele se perguntou se ela não estaria acordada, se o rangido do portão por acaso não a despertara. Mas realmente não se importava. As coisas já tinham ido tão longe que ele já não mais se importava com coisa alguma. As cenas estavam começando a deixá-lo nervoso demais. Já não mais agüentava as constantes repetições, as acusações (que não mais se dava ao trabalho de negar), as censuras intermináveis. Ele subiu pelo caminho e pelos degraus da varanda, tirando a chave do bolso. Entrou na casa, fechando a porta. E no mesmo instante sentiu a hostilidade, o ódio gerado pela presença dela, pelo ressentimento constante dela.
